Saímos de Lisboa de noite, de madrugada, com as mochilas e as tendas às

Os Açores.
Para uns era a primeira vez que iam às ilhas, eu já era uma repetente e há lugares e paisagens que tínhamos de encontrar ou reencontrar.
A Cascata é um daqueles sítios que ficam no coração, no pensamento para sempre, têm uma beleza mágica, que não se encontram por aí, estão escondidos, no meio do Mundo e é preciso estar atento para os encontrar. Sentimos algo
Naquela tarde, era como se a cascata fosse o único propósito da viagem.
Para chegar à cascata é preciso andar duas horas a pé até à Fajã e depois, subir uma encosta durante mais ou menos uma hora.
O caminho é uma descoberta, a vista é indescritível, os pássaros pousam nos nossos braços, há amoras silvestres e o mar acompanha a caminhada lá de baixo.
Chegámos à Fajã. Dirigimo-nos logo para a cascata.
Claro que já tinha descrito este lugar aos meus amigos.
Pelo caminho, encontrámos duas raparigas que vinham em sentido contrário e
Parámos, por uns instantes para descansar e todo o grupo começou a achar que a cascata já não existia ou que estávamos no caminho errado. Quando retomámos o caminho, foi no sentido oposto ao da cascata... dei três ou quatro passos e pensei: É impossível que a Cascata já não exista, se tal acontecesse, o planeta inteiro já tinha morrido de sede.
A cascata existe e o caminho é este, eu já lá estive!
Entretanto o grupo inteiro já estava fora do nosso alcance visual, portanto seguimos caminho sozinhos.
Passado pouco tempo, estávamos na cascata e não estava lá mais ninguém naquela água cheia de energia, transparente. A magia também está nos olhos e nos sorrisos demorados de quem encontra a cascata pela primeira vez. Reencontrá-la é como receber um abraço caloroso da natureza.
Há dias, quando andava a passear na minha cabeça, lembrei-me deste acontecimento. Pensei que se nunca tivesse ido à cascata antes, se não soubesse que ela existia, provavelmente eu também teria desistido a meio
Achei que poderia fazer um paralelismo entre esta caminhada e a nossa vida. Existe sempre, algo que queremos alcançar, uma cascata. Para isso temos de encontrar o caminho para lá chegar, temos de acreditar que existe, superar obstáculos, esperar o tempo necessário, etc. Quantas vezes, encontramos pessoas que estão no sentido oposto ao nosso e que nos contagiam com a sua descrença, ou passamos por experiências que nos desencorajam? E quantas vezes desistimos de encontrar as cascatas da nossa vida ou acomodamo-nos por causa de coisas sem importância?
Quando estou naquela parte do caminho, em que as coisas nunca mais acontecem, em que temos de dar tempo ao tempo e que a espera desespera, penso na cascata, penso na caminhada daquela tarde.
E aqui longe da cascata, recebo um abraço de esperança que me aconchega e que apazigua a minha ansiedade. Penso que o caminho também é uma aprendizagem doce e que o tempo acrescenta valor.
Desejo que em 2010 encontrem a vossa cascata!!!
Beijos